segunda-feira, 8 de setembro de 2008
 

ORGULHO DE SER PALMEIRENSE

Caro palmeirenses,

É nítida a transformação pela qual passa o Palmeiras.


Até muito pouco tempo, o futebol, carro-chefe do clube, principal ícone de exposição da marca Palmeiras, maior responsável pela sua popularidade, pela paixão de milhões de torcedores em todo o País e até no exterior, e pela sua grandiosa história, construída com suor e lágrimas ao longo de quase um século, estava abandonado e esquecido dentro das prioridades da diretoria.


Para eles, os outros objetivos eram "mais importantes" (será ?), e o resultado todos sabemos: a vergonha que passamos de 2001 a 2006.


Desde 1999 não ganhamos um único título de respeito. E até para a segunda divisão conseguiram nos levar. Elencos medíocres, comandantes sem liderança, experiências desastrosas. Estávamos fadados a voltar (e, em pior estado) aos anos oitenta, quando amargamos "taças de pratas" e perdas de títulos para agremiações menores.


Pensar pequeno era a tônica. O tal "bom e barato", na verdade, revelou-se "péssimo e, no custo benefício, caríssimo". Afinal, quantidade não é qualidade. E o Palmeiras desceu a ladeira, apequenou-se, intimidou-se e não reagia. Chegamos a ponto de lermos, ouvirmos e vermos diretores contentando-se com o mínimo: de apenas escapar de novo vexame da série B ou explicando o porquê de não chegarmos a nenhuma fase decisiva de campeonato algum.


É isso que queremos para o nosso Palmeiras?


E o discurso era de que a área social do clube era a grande prioridade, em detrimento do futebol. Não era o que se via na prática. Como sócio da Sociedade Esportiva Palmeiras, há mais de 20 anos, não vi nenhuma melhoria significativa. Nada que se pudesse trocar pelas vitórias do time. E por que temos de trocar um pelo outro? Será que não somos suficientemente capazes de ter um departamento de futebol profissional de alto nível e também uma área social que atenda às necessidades e expectativas dos sócios? Afinal, não é isso que se espera?


E ainda não se pode esquecer que a nação Palmeirense é muito maior do lado de fora dos muros da Rua Turiaçu. Portanto, os dirigentes que assumem os cargos - por livre e espontânea vontade - têm que se responsabilizar por isso.


Mas o tempo é o senhor da razão. Ainda bem. As pessoas passam e o clube, a instituição, fica. As glórias não se apagam e são inspiração para a reação. Contudo, não devemos nos contentar apenas em resgatar a memória e a história e viver do passado. Temos que continuar a escrever a história desse Clube. E passá-la para nossos filhos.


Como palmeirense, fico muito feliz e até orgulhoso de estarmos novamente na luta, de igual para igual, com qualquer adversário. Até aquele que há pouco tempo parecia exemplo de administração e conduta. Mas que não aceita concorrência.


E vejo a nossa grandeza quando esses adversários usam factóides e intrigas de bastidores. E, pasmem: estamos apenas no início de nossa recuperação. Mas, esse filme nós já vimos, entre 1992 e 2000, quando ganhamos tudo, para desespero deles.


Vejam como conseguimos, agora, em muito pouco tempo, incomodá-los, deixá-los apavorados. Por isso, usam de armas e métodos nada ortodoxos.


Fico orgulhoso quando, num jogo como aquele do último domingo, em que o prejuízo foi mais do que óbvio, os diretores do Palmeiras mostravam-se éticos, equilibrados, discutindo em alto nível e até reconhecendo uma certa qualidade no adversário. Postura muito diferente daquela que vimos e escutamos no penúltimo encontro, em Ribeirão Preto.


Pior ainda foi na década de 90. Para diminuírem nossos feitos, apresentavam explicações absurdas de favorecimento, sempre sem a lisura de reconhecer a grandeza do adversário.


Como já citei, estamos a algum tempo sem títulos, mas nunca denegrimos a qualidade dos adversários. Temos que olhar para nós mesmos e melhorar. Realmente, somos muito diferentes deles.


Para os fracos de espírito, não reconhecer a qualidade do adversário é a primeira lição de inferioridade. Tirar os méritos da vitória é buscar desviar holofotes, uma vez que não sabem conviver com as adversidades.


Meus amigos, isso é exemplo de conduta? Isso é exemplo de administração?


O Palmeiras é muito grande. Resistiu a lufadas, tempestades, administrações caóticas, quedas, vergonhas. Mas, como Fênix, ressurge das próprias cinzas. E volta mais robusto porque tem brio, caráter de vencedor e espírito esportivo. Temos uma história de conquistas. Nunca nos deram nada gratuitamente. A luta é o nosso lema. Não é à toa que o hino diz: Quando surge o alviverde imponente, no gramado em que a luta o aguarda, sabe bem o que vem pela frente...


É isso que os incomoda.


O que interessa, meus caros irmãos palmeirenses, é que temos uma esperança no ar. Essa nova administração do futebol já mostra evolução. Mostra jovialidade. Mostra iniciativa. Mostra articulação. Mostra dedicação. Mostra arrojo. Busca soluções. Isso é muito claro.


Toda essa mudança se deve ao movimento que palmeirenses, como eu e como você, criamos. Cansados da incompetência e do torpor administrativo, fizemos.


Em 2006, várias reuniões, atos e iniciativas resultaram nessa nova fase. Uma fase que está apenas começando. Não podemos, de forma alguma, permitir o retrocesso. Temos de querer mais: exigirmos melhores caminhos. E isso depende de cada um de nós, sócios ou não.


Ainda há muito a fazer. Há ainda muitas mazelas a serem curadas. Não se constrói em dois ou três anos o que se destruiu em quinze.


Assim como fizemos há dois anos e conseguimos mudar parte do status quo, temos de continuar com a renovação. Só assim será possível vislumbrar um futuro glorioso e sustentável. Logo teremos as eleições do Conselho e cabe a nós o destino dessa nação.


O Palmeiras merece. Nós merecemos.


Luis Abdal
Palmeirense há 42 anos.

Carta de apoio a Caio Jr.

O ano mal começou e os açodados da imprensa já começaram a soar as trombetas de Jericó, exigindo a queda de nosso promissor técnico Caio Jr. A miopia de muitos, lamentavelmente característica dessa honrosa e tão necessária profissão, turva-lhes a vista para o que não seja acidental ou superficial, mas nem por isso os mesmos empregam todas as precauções do bom senso antes de emitir seu temerário juízo.


A atual situação do Palmeiras ilustra o quadro com perfeição. A nova diretoria de futebol mal assumiu - lembremos que a mesma ainda não se encontra completa em razão do anacronismo de nosso estatuto que reza eleições para o final de Janeiro - e teve de lidar, apenas no futebol, com dispensas (mais de duas dezenas!) e aquisições de jogadores, nomeação de diretores e reformulação nas categorias amadoras. Trabalho de semestre empreendido em pouco menos de dois meses.


A mesma (diretoria), respaldada pelo presidente Affonso Della Monica que, - diferentemente do antecessor e seguindo uma tradição "secular" do clube, - dispensa ao futebol do Palmeiras a mesma atenção que o coração deve receber no organismo humano, pois bem, essa diretoria teve a auspiciosa iniciativa de contratar o promissor técnico Caio Jr, o qual, à frente do Paraná Clube - time de menor folha salarial dentre todos os clubes participantes da Série-A de 2006 -, conquistou a inédita vaga para a Taça Libertadores, além de ter reconhecidamente montado uma estrutura que agora vem sendo bem utilizada pelo ex-goleiro e atual técnico Zetti. Por esse trabalho, e não pelo que pouco pôde fazer no palmeiras é que deve ser julgado.


Esse é o nó da questão. Caio Jr., especialmente, já começa a receber as primeiras críticas em razão dos resultados do Campeonato Paulista, como se o mesmo tivesse recebido um esquadrão, e ainda por cima entrosado. Acrescente-se a isso o fato de o mesmo ter de lidar com uma herança desagradável, a saber, a premente necessidade de conquistas, fato que singulariza o Palmeiras dentre os rivais paulistas.


Isso posto, é preciso chamar a atenção do (a) leitor(a) para a seguinte necessidade, e isso vale especialmente para os associados e conselheiros. O Palmeiras, esse eterno Vesúvio, vem passando por um lento, mas seguro e irreversível processo de democratização, como a última eleição presidencial denotou. Nele, subestima-se a telúrica iniciativa de inúmeros palmeirenses nos blogs, no Orkut, e no programa Muda Palmeiras. Isso é tanto mais verdadeiro pelo fato de a principal figura derrotada nas eleições (não se trata do candidato oficial derrotado) agora resolver vir a público para manifestar-se, num gesto desesperado para quem sempre tratou a opinião pública palmeirense com indiferença e sarcasmo. A história política de todas as nações é pródiga dessas figuras. A respeito delas, Mme. Stäel, célebre republicana francesa, expressou o seguinte juízo, em 1796: "Antes preferem a ruína de sua causa, contanto que arrastem consigo os inimigos, do que triunfar com os mesmos pela e para a causa..." Importa saber que o Palmeiras, com as adaptações do Estatuto ao Código Civil, não será mais presa de pessoas com essa mentalidade, assim como que todo e qualquer presidente, progressivamente, representará cada vez mais a opinião palestrina. O Antigo Regime no Palmeiras acabou.


Infelizmente, o espírito de partido, de um lado, bem como a precipitação da imprensa, de outro - quando mesmo não estão concertados -, pretendem desestabilizar esse bom início de trabalho do Palmeiras que, finalmente, enseja os primeiros passos rumo à completa profissionalização de seu futebol, assim como dos departamentos de marketing e jurídico.


Nesse momento de transição é preciso muita prudência e calma. O fato é que a velha máquina administrativa, que tantas glórias nos proporcionou até 1976, não resistiu à usura do tempo, ao amolecimento da fibra ( algo que abundava em nossos egrégios políticos)...; enfim, essa máquina necessita ser adaptada aos novos tempos, sob o risco de esse imenso sonho, que é a Sociedade Esportiva Palmeiras, perecer. Para que a nova diretoria e a comissão técnica disponham, cada qual em sua esfera, de liberdade para efetuar as combinações necessárias nessa descomunal engrenagem, é preciso, a exemplo da engenharia de materiais, que a pressão sob a qual vive o clube diminua, pois somente assim as antigas peças, com seus destroços, serão desconjuntados sem prejuízo da máquina.


Uma vez superado esse momento inercial, o Palmeiras tem tudo para, muito em breve, recuperar seu destino, e assim a nova engrenagem, motivada pela pressão da torcida que naturalmente dilata as peças nas vitórias, mostrar-se-á sólida e incorruptível.


A torcida esteja certa de que nosso lema sempre será o edificante "De l'audace, toujours de l'audace!"( "Audácia, sempre a audácia!"), e não o rasteiro "Bom e Barato."


José Miguel Nanni Soares

Padre Antonio Vieira para os palmeirenses

Prezados Palmeirenses indignados (perdoem o pleonasmo),
Vocês já se perguntaram para que servem 300 e tantos conselheiros? Que função desempenham – melhor dito, deveriam desempenhar - esses notáveis? Qual a origem dessa engenharia institucional? Para que servia (e deveria ter uma utilidade, dado que o Palmeiras foi o campeão do século XX, que para ele se encerrou em 1976 e não em 2000) e por que não mais parece justificar-se?   
É para tentar responder a essas questões que iniciamos o texto não com uma advertência, mas com um sincero e humilde pedido de licença a vocês, mulheres e homens educados e amantes da boa literatura, para um empreendimento extravagante que aqui se tratará de justificar.
Na verdade, embora seja literatura, e das melhores, o objetivo de aqui se reproduzir uma adaptação  do Sermão da Sexta –Feira da Quaresma”,  do Padre Antonio Vieira, é o de dar curso à indignação que neste momento se apossa de todo coração esmeraldino.
Esse zelo editorial justifica-se quanto mais por tratar-se de um dos maiores, senão o maior (assim o consideravam Fernando Pessoa e Eça de Queirós), escritores da língua-portuguesa, célebre pela fecundidade bem como pela qualidade de seus sermões, os quais eram notáveis pela erudição e pela ousadia do seu autor (Vieira expunha igualmente à sua censura desde os poderosos proprietários do Maranhão até a pessoa do próprio rei de Portugal, como se lê no célebre “Sermão do Bom Ladrão”, que todavia conserva sua atualidade nesses malfadados tempos de mensalão, sanguessugas e coisas tais...).
Em nosso caso, tratou-se de adaptar um dos mais belos sermões morais desse grande luso-brasileiro ao nosso problema - o qual, curiosamente para nós, dirigia-se ao Conselho Real de sua Majestade! Pregado na Capela Real, em Lisboa, no ano da graça de 1662, explica o porquê de nos encontrarmos nessa indigente situação.
As deduções e inferências são da inteira responsabilidade do inteligente leitor.  Esse “profanador” editor obsequiou por conservar o máximo possível a estrutura argumentativa do texto, respeitando a evolução retórica clássica (tese, síntese e antítese), embora tenha substituído intencionalmente algumas palavras (que serão indicadas) para adaptar o conteúdo do texto às nossas circunstâncias, sem prejuízo, esperamos, da fidelidade do mesmo.
Os possíveis erros são de inteira responsabilidade nossa, jamais do grande moralista e escritor que foi Vieira.

“Sermão aos Conselheiros”
“A melhor e a pior coisa que há no mundo, é  o conselho. Se é bom, é o maior bem; se é mau, é o pior mal.
A causa de se governar tão mal o Palmeiras (no original, Mundo), e de andar tão mal aconselhado, havendo tantos conselheiros, é porque de ordinário os príncipes baralham os metais, e trazem desencontrados os conselhos e os conselheiros. Se o soldado votar nas letras, e o letrado na navegação ( e o delegado, o empresário imobiliário, etc,  no futebol...) , que conselho há-de haver, nem que sucesso? Haverá letrados, e não se verá justiça: haverá pilotos, e não se fará viagem: haverá exércitos, e levarão a vitória aos inimigos. Vote cada um no que professa, e logo nos conselhos haverá conselho...
Viu o profeta Miqueias a Deus em conselho, assentado em um trono de grande majestade. Conta o caso o profeta no 3o Livro dos Reis, capítulo 22. Assistiam a Deus de uma e outra parte do conselho todas as grandes personagens das três hierarquias: os Tronos, as Potestades, as Dominações, Querubins, Serafins, etc. E diz o profeta que também veio o Diabo a achar-se no conselho (que tratava de decidir acerca de uma punição ao rei Acab). Se num conselho do Céu, onde o presidente é Deus, e os conselheiros anjos, entra um Diabo; nos conselhos da Terra, onde os que presidem e os que aconselham são de carne e osso, quantos diabos não entrarão?

...

A prudência e obrigação do líder não é seguir as razões dos grandes, senão as grandes razões: não é somar os votos, senão pesá-los. Olhar para a hierarquia de quem votou, é querer venerar os votos, mas não acertá-los. Na eleição do voto, nem se há-de respeitar a dignidade da pessoa, nem se há-de respeitar a nobreza, nem se hão-de respeitar os títulos, nem se há-de respeitar o poder, nem se há-de respeitar o amor...Há-se de avaliar o voto pelos merecimentos do mesmo voto e nada mais. Ainda que a pessoa que votou seja o sujeito mais vil do mundo, qual era o Demônio, e ainda que seja a que está mais fora da graça do príncipe, se o seu voto for o melhor, há-de preferir seu voto, como Deus preferiu o do Diabo...

...

Os conselheiros hão-de ser homens de quid facimus (que fazemos?) e não homens de que havemos de fazer? Enquanto o Palmeiras  (no original, Mundo) tiver homens de havemos de fazer não teremos liberdade, grandeza...

...

De que se acautelou Deus com tanto cuidado, com tanta prevenção, com tanto estrondo, ao derrubar a Torre de Babel?
(Porque) Aqueles homens para tudo o que intentaram e resolveram, não fizeram mais que dois conselhos: um dos meios, outro do fim.  No primeiro conselho disseram: Venite! Faciamus lateres! (Eia, façamos tijolos!). No segundo conselho disseram: Venite! Faciamus turrim! ( Eia, façamos a torre!). E homens que em todos os seus conselhos não dizem, faremos ( ou, em nosso caso, reforçaremos, contrataremos...), nem havemos de fazer, senão façamos...estes homens, ainda que intentem o maior impossível, hão-de levá-lo a cabo. Homens que fazem os conselhos, fazendo: homens que as suas resoluções são de pedra e cal, e que quando haviam de parecer conselhos, aparecem muralhas...

...

Cuidam os conselheiros (grifos nossos), que feitos os conselhos, feitas as consultas, feitos os decretos (as eleições, as distribuições de cargos e sinecuras...), está feito tudo. Mas ainda não se começou a fazer nada. O princípio dos negócios é a execução: enquanto se não dão à execução, não se lhes tem dado princípio.
Que importa a sentença no conselho, se se não executa a sentença?

...

Pois que remédio para estes nadas (esses 300 ou mais conselheiros do Palmeiras) sejam  alguma coisa, e sejam tudo? O remédio é criar um conselho de novo. Ainda mais conselhos? Bem aviados estamos. E que conselho há-de ser este? E como há-de se chamar? Salomão, o sábio, lhe deu o nome: consilium manuum: um conselho de mãos. Este é o conselho dos conselhos. Todos os outros conselhos sem este, são conselhos sem conselho. Os conselhos de entendimento, discorrem, altercam, disputam, consultam, resolvem, decretam, e até aqui nada ( qualquer semelhança com as infinitas reuniões da diretoria de futebol após cada derrota, é mera coincidência). O conselho das mãos é o que faz as coisas. O mesmo Texto diz: Operata est consilium manuum suarum. Os outros conselhos especulam ( e ludibriam), este conselho obra.

...

Os mais felizes reinos não são aqueles que têm as mais bem entendidas cabeças, senão aqueles que têm as mais bem entendidas mãos ( ah, como isso é verdadeiro no que diz respeito aos trabalhadores italianos que fundaram o Palmeiras!). Porque os conselhos prudentes, que não passam do entendimento às mãos, fazem-se de prudentes néscios.

...

Sendo este conselho tão político, e sendo tão políticos os seus conselheiros, que se seguiu de todas essas políticas?
O que se seguiu foi a destruição do Palmeiras  (no original, da República, isto é, do reino de Portugal e possessões no além-mar), a destruição dos mesmos conselheiros e fariseus que fizeram o conselho. E por quê? Porque tenfo o conselho tanto de político, não teve o que devia ter de palmeirense (no original, cristão): antes todo ele foi contra o Palmeiras (no original, Deus).
In contrarium eis verit malum consilium ( o mau conselho se converteu contra os mesmos que o haviam tomado) – Santo Agostinho...”         
Precisa ser mais explícito? Para todos os efeitos, Vieira continua sendo um clássico, um autor cuja força gravitacional continua a nos atrair, quanto mais em razão das circunstâncias...

José Miguel Nanni Soares

 

Sobre história e mudanças



Na noite de 4 de agosto de 2005, eram celebrados cem anos do clube argentino Estudiantes de la Plata. A festa de torcedores, ídolos e dirigentes tinha um convidado apenas – a Sociedade Esportiva Palmeiras.
A celebração Argentina girava toda em torno de uma partida que, amistosa, era carregada de simbolismo. Em campo, Palmeiras e Estudiantes reviveriam a final da Copa Libertadores de 1968. Um confronto épico, quase lendário, a batalha que rendeu ao Estudiantes seu primeiro troféu continental. Aos “pinchas”, não importava que, espremido entre as datas do campeonato brasileiro, o Palestra não estivesse com o time principal – o enviado foi o Palmeiras B. O essencial era que o Alviverde estivesse presente em sua história, sua camisa, seu escudo.
Para o Estudiantes, era hora de celebrar a história. De reencontrar os elementos que os fazem únicos, que determinam sua identidade. E, nessa celebração, entre todos os times do continente, entre esquadrões e ídolos eternos, um clube apenas, o Palmeiras, era cúmplice e parceiro.
O jogo foi 1 a 0 para o Palmeiras. Gol de Everton, aos 25 minutos do primeiro tempo.

***

Talvez por envolver o Palmeiras-B, a participação alviverde no centenário do Estudiantes passou despercebida por aqui. Pena.
Porque, se bem administrado, um feito como o protagonizado pelo Palmeiras na Argentina é mina de ouro para o marketing de qualquer clube.
Mais que isso, é coisa para encher de orgulho qualquer torcedor.
E, nestes tempos, tudo o que o torcedor palmeirense precisa é de um bom motivo para levantar a cabeça.

***

É cada vez mais comum que, numa tentativa de provocar/amaldiçoar os palmeirenses, torcedores rivais vejam no futuro do Palestra uma inescapável areia movediça de lanternas de campeonato, um purgatórios de segundas e terceiras divisões. “O Palmeiras vai ser como a Portuguesa”, dizem.
Com todo respeito ao clube do Canindé, não. O Palmeiras nunca será uma Portuguesa. O Palmeiras, para o bem ou para o mal, será sempre o Palmeiras.O que significa que se por um lado o Alviverde parece, hoje, um time resignado com terceiros e quartos lugares, ele é, também, dono de uma história única em sua riqueza. 
É o clube com mais participações na Libertadores. A única equipe a fazer frente ao Santos de Pelé. Um time que vestiu a camisa canarinho, que teve jogadores nas cinco seleções brasileiras vencedoras de Copas do mundo.
Trata-se do Campeão do século XX.

***

A exemplo do ocorrido entre o fim dos anos 70 e o início dos 90, o Palmeiras vive, hoje, um incômodo jejum de títulos. E tanto a fila de ontem como a de hoje têm feito estragos na auto-estima palmeirense. Não é incomum ouvir de torcedores de décadas lamentos sobre a dificuldade para se convencer novas gerações a ostentar o brasão alviverde.
Lógico, as crianças palestrinas ainda existem. Mas são raras. Estas são convencidas não pelas glórias atuais (que inexistem), mas, principalmente, pela cultura de torcida, pelas narrativas dos grandes jogos, a mítica dos ídolos de tempos não tão distantes. Pela grandeza projetada pela história do Palmeiras.
É verdade que times vencedores são mais populares e angariam com facilidade novos torcedores. Mas vencer apenas não basta. A vitória, o título, é coroamento do curso de uma história, reafirmação da grandeza de um clube.
Pode-se viciar um campeonato, pode-se subornar um juiz. Mas a história de um clube é algo que não pode ser roubado.

***

A história de um time como o Palmeiras é feita a cada dia. Ela é ao mesmo tempo reafirmada e reinventada, em mesas de boteco, portas de estádio, salas de aula, fóruns online. Suas cores e seu escudo respiram nas histórias de grandes partidas relembradas entre cervejas, nos mitos passados de pai pra filho.
Neste universo de histórias e referências comuns, constrói-se a cultura de uma torcida destinada à vitória, de gente que vai ao estádio sabendo que a derrota, coisa do jogo, sempre espreita. Mas não é algo para se temer, ou, pior, se acostumar.
Paradoxalmente, na contramão da história celebrada por seus torcedores, está a instituição Palmeiras. Congelado numa eterna confusão entre as necessidades e atribuições do time de futebol e do clube social, avariado por quedas de braço entre dirigentes e vaidades políticas, o horizonte que rege o Palmeiras tem, nos escritórios e gabinetes de seus cartolas, ficado cada vez mais estreito.
E essa institucionalização de um Palmeiras apequenado, quando confrontada com a cultura vencedora de seus torcedores é, talvez, o maior risco a pairar sobre o clube em toda sua história.

***

A Sociedade Esportiva Palmeiras só faz sentido se representativa de sua torcida. A partir do momento que seus dirigentes viram as costas para suas arquibancadas, que os torcedores não se identificam mais com o Palmeiras como instituição, a instituição definha.
A grandeza e história de um time como o Palmeiras deve, sim, ser promovida institucionalmente -- não apenas com as vitórias, essenciais, mas, também, com a implementação de estruturas profissionais de comunicação e marketing.  É preciso estimular o orgulho dos torcedores pelas cores do clube, mostrar aos adversários os motivos pelos quais o Alviverde deve ser respeitado e temido. Os bons negócios, mais que solução, são conseqüência disso tudo.

***

Em qualquer regime, a alternância no poder é um saudável remédio as instituições. No Alviverde, não é muito diferente. Mais do que nunca, é necessária a mudança. Um trabalho de reconstrução, que reforce os alicerces de um clube com o qual a torcida volte a se identificar. Um time que volte à vida.
Porque, para o Palmeiras, o maior risco não é virar uma Portuguesa.
O perigo maior, para o Palestra, é acabar como um fantasma de glórias passadas.

Fontes:
Saiba mais sobre o Centenário do Estudiantes:
Olé.com
http://www.ole.clarin.com/jsp/v3/pagina.jsp?pagId=1027698

Clarín.com
http://www.clarin.com/diario/2005/08/04/um/m-1027304.htmhttp://www.clarin.com/diario/2005/08/05/deportes/d-07202.htm

Estudiantes de la Plata – Site Oficialhttp://www.clubestudianteslp.com.ar/institucionales/iframe_actualidad.htm#cien

Tiago Soares

 

Amigo Palmeirense,

O re-encontro com o nosso destino de clube vitorioso está em curso. O sinal de que já trilhamos a rota de novas conquistas é inequívoco: com um esforço coletivo comovente o limitado time do Palmeiras conseguiu chegar ao empate no jogo com o São Paulo que todos davam como perdido. No domingo, mesmo com as conhecidas deficiências, saímos de um empate desnecessário para a vitória, auxiliados pela mão de San Gennaro. Escrevo este editorial na quarta-feira, 10 de agosto. Espero que o jogo de hoje confirme minhas previsões.

Mas, o importante é sentir que espírito palestrino, encarnado em Emerson Leão - um dos ícones das jornadas inesquecíveis dos anos 70 - imantou os atletas com a raça perdida nos anos de descaso e incompetência. Os jogos de quinta e domingo nos proporcionaram a alegria que há tempos não nos deixavam sentir: as vitórias dos que não esmorecem. Digo vitórias porque assim nossa torcida assim celebrou o empate heróico do Morumbi.

Mas é preciso encarar a atual situação sem ilusões. O time precisa de reforços. A atual diretoria deu passos importantes para a superação do marasmo e do atraso promovidos pela administração anterior. O treinador Emerson Leão desvendou - para quem estiver disposto encarar a verdade - as falhas gritantes da estrutura e das práticas administrativas do clube. Nada que surpreendesse os que se opuseram aos métodos do ex-presidente, inexplicavelmente celebrado por seus acólitos como excelente administrador.

Os palmeirenses que não disputam cargos, benesses e favores têm agora obrigação moral de colaborar com sua capacidade crítica, idéia e sugestões para a reabilitação definitiva da Sociedade Esportiva Palmeiras. Amigos palmeirenses: é intolerável a idéia do retrocesso à ao predomínio dos presunçosos sabichões das trevas, dos arautos do atraso. Viva o Palestra!

Luiz Gonzaga Belluzzo

 

Caros palmeirenses-palestrinos,



O movimento Muda Palmeiras cria um espaço para a livre manifestação das opiniões da comunidade verde e branca. É reconhecida a capacidade da torcida palmeirense de criticar e sugerir. Esta vitalidade nos deixa numa posição privilegiada entre os que gostam de futebol. É uma pena que esta disposição para participar de forma inteligente e interessada da vida do clube receba como resposta a incompreensão dos atuais dirigentes.
Em minhas andanças Brasil afora tenho notado o elevado contingente de palmeirenses jovens que se mobilizam em torno de idéias e projetos destinados à modernização das práticas administrativas, tanto no futebol quanto na parte social.
Isto é muito animador, mas é preciso que estas pessoas se tornem sócias do clube e estejam disponíveis para conquistar vagas no Conselho Deliberativo. Faço sempre questão de afirmar que o Movimento Muda Palmeiras não deve pautar sua atuação por uma visão de curto-prazo. Precisamos pensar uma ou duas gerações na frente para garantir um Palmeiras forte e respeitado no século XXI, como foi no século XX. Por isso, há que resistir às tentações do imediatismo e do oportunismo eleitoreiro, sem nunca perder a disposição de continuar brigando pela mudança nos métodos e critérios de gestão do clube.
Todos sabem que somos avessos ao ataque pessoal como forma de luta política. No entanto, defendemos acirradamente a necessidade da crítica e do debate sistemático, sobretudo quando sentimos que grande Palestra esta a se desviar dos rumos traçados por seus fundadores. Afinal somos herdeiros e descendentes de homens e mulheres não-conformistas, corajosos e singularmente capazes da auto-ironia que mudaram radicalmente suas vidas, ao abandonar seus pagos na busca de uma vida melhor na América.
Para terminar: Neste momento é dever de todo bom palestrino apoiar o time na escalada em busca do título brasileiro. A nossa tradição de conquistas não nos dá o direito de almejar menos do que isso.

Luiz Gonzaga Belluzzo

 
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